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Porquê escolher entre Tesouro Selic ou Prefixado – De grão em grão

A maioria dos investidores escolhe inverídico porquê investir em títulos de renda fixa. Eles olham o retorno pretérito para resolver. Outros até olham o retorno porvir, mas selecionam de forma errada. E você, sabe escolher?

O que seria melhor se fosse investir por 6 anos?

a) Investir no Tesouro Selic por seis anos, que hoje rende 2,15% ao ano;

b) Investir no Tesouro prefixado de seis anos, que estava a 5,8% ao ano na sexta-feira;

c) Investir no Tesouro prefixado de três anos, que na sexta estava a 3,74% ao ano e quando vencer, investir no título prefixado disponível no porvir por mais três anos.

A expectativa do mercado é que a taxa Selic caia mais uma vez. Nesta próxima quarta-feira a meta da taxa básica definida pelo Comitê de Política Monetária (COPOM) deve tombar para 2% ao ano.

Com a meta neste patamar, a taxa Selic diária que remunera os títulos públicos deve ser de 1,9% ao ano. Isso mesmo, a Selic diária é ligeiramente menor que a meta definida pelo COPOM. O CDI acompanha esta última e deve seguir a mesma variação. Esta queda pode ser visualizada na segmento grifada em vermelho da figura inferior.

Curva de juros de DI Porvir de 1 dia da B3 e estimativa de movimentos do COPOM. Nascente: Bloomberg

Com esta queda, parece lógico para a maioria que a melhor resposta para um investimento de seis anos seria o item “b”, ou seja, utilizar no título prefixado com retorno de 5,8% ao ano. Mas em que condições esta seria a melhor escolha?

Há duas semanas expliquei porquê se escolher entre um título referenciado à inflação e um prefixado.

Novamente, repito um ponto importante. Quando for confrontar títulos de renda fixa de remuneração dissemelhante, deve considerar o mesmo emissor. Isso ocorre, pois um título público federalista prefixado (Tesouro Prefixado) vai, provavelmente, render menos que um título prefixado, por exemplo, um CDB de mesmo prazo emitido por um banco médio.

Por exemplo, o título Tesouro Prefixado de 2026 com retorno de 5,8% ao ano, devido à taxa de custódia cobrada pela CBLC de 0,25%, deve render unicamente 5,55% ao ano. Já um CDB de banco médio, pode render mais de 135% desta remuneração, ou seja 7,5% ao ano. Essa diferença de rentabilidade ocorre pelo risco de crédito do banco.

Quem investe menos de R$250 milénio por emissor, conta com a garantia do FGC. Portanto, para estes casos, o risco é mitigado e o CDB de banco médio é imbatível em relação aos títulos no Tesouro Direto.

Nosso objetivo é explicar porquê você pode resolver entre a remuneração prefixada e referenciada à Selic. Para isso, usaremos os títulos públicos do Tesouro para a confrontação considerando o mesmo risco de crédito. Mas, depois de resolver qual o melhor, se vai permanecer até o vencimento, considere o CDB dentro da garantia do FGC, pois vai lucrar consideravelmente mais.

O principal fator de erro na decisão é que a seleção entre a forma de remuneração não deve considerar unicamente o retorno que é apresentado hoje.

Você precisa calcular o que está implícito na curva de juros em relação aos movimentos do COPOM nos próximos anos, até o vencimento do título. Um título prefixado pode parecer mais vantajoso hoje, mas pode perder para a Selic, dependendo das alterações de taxa de juros que o COPOM deve praticar até o vencimento do título.

O processo de escolha é simples, mas vai exigir de você a realização de uma aposta em relação a estas alterações do COPOM.

A figura inferior mostra na pilastra “COPOM+CDI”, que, pela curva de juros, para que um título que remunere a Selic se iguale em rentabilidade, até o vencimento de janeiro de 2026, ao título prefixado, o COPOM deveria subir a taxa Selic para 8,4% ao ano dos atuais 2,15% ao ano. Portanto, uma elevação de 6,25% em menos de seis anos.

Curva de juros de DI Porvir de 1 dia da B3 e estimativa de movimentos do COPOM. Nascente: Bloomberg

Assim, se você acredita que antes de 2026, a Selic vai estar supra de 8,4% ao ano, é melhor comprar o título pós-fixado. No entanto, se você estima que o COPOM não deve sublevar a Selic em 6,25% até janeiro de 2026, o melhor é investir no Tesouro Prefixado.

Sua decisão de investimento deve ser pautada no que acredita que o COPOM vai implementar, em relação ao que o mercado já precifica na curva de juros.

Mas e quando a escolha “c” é melhor?

Se escolher “c” você aplica hoje em um título prefixado de vencimento em janeiro de 2023 e, no vencimento deste, reinveste em outro título prefixado de três anos.

A decisão entre as alternativas “b” e “c” depende do que acredita de movimento do COPOM no pausa de 2023 a 2026. Esta decisão também deve considerar o que o mercado já precifica de subida de juros neste período.

A figura inferior mostra que a curva de juros tem implícito que a taxa Selic deve estar em 6,25% ao ano em janeiro de 2023.

Curva de juros de DI Porvir de 1 dia da B3 e estimativa de movimentos do COPOM. Nascente: Bloomberg

Na curva de juros, está implícito que o COPOM elevaria os juros em 2,15% (= 8,4% – 6,25%) entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026. Assim, se você acredita que a subida de juros será maior neste pausa de tempo, a escolha “c” é melhor que “b”. Isso ocorre, pois quando o título prefixado vencer em 2023, vai conseguir investir em um título de três anos com retorno maior que o precificado hoje.

Porquê vimos, o processo de escolha não envolve unicamente escolher entre prefixado e Selic, mas também para qual prazo de vencimento deve selecionar o título prefixado. Para se chegar à decisão correta, você precisa ter uma boa previsão sobre os movimentos do COPOM nos próximos anos. Leste é segmento do trabalho de economistas que suportam a gestão dos fundos de investimentos.

 

Michael Viriato é professor de finanças do Insper e sócio fundador da Morada do Investidor.

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