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Policiais envolvidos em ação que acabou na morte de João Pedro são afastados das ruas – 23/05/2020 – Cotidiano

Três policiais civis que participaram da operação que terminou com a morte de João Pedro Matos, 14, na última segunda (18) em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, foram afastados temporariamente do serviço nas ruas.

A Corregedoria Universal da corporação informou que eles continuam na Coordenadoria de Recursos Especiais (Core)​, grupo que auxiliou a Polícia Federalista na invasão no Multíplice do Salgueiro, mas exercendo atividades administrativas.

Nesta sexta (22), a Delegacia de Homicídios da região identificou que a arma que disparou em João Pedro tinha calibre 5,66 mm, o que indica que o tiro saiu de um fuzil e que pode ter partido de policiais, porque esse é o mesmo calibre usado pela Polícia Social.

Os investigadores informaram que já ouviram os agentes que participaram da ação, os pilotos do helicóptero que socorreram o menino e mais duas testemunhas. Foram solicitadas ainda informações à PF sobre o planejamento e os objetivos da operação, que visava satisfazer dois mandados de procura e consumição contra líderes do tráfico.

Para a próxima semana, estão previstos os depoimentos do bombeiro socorrista que declarou o óbito de João Pedro, de outros policiais envolvidos e dos familiares da vítima, além de outras pessoas.

Segundo a Polícia Social, os agentes estão analisando os laudos de necropsia do corpo e de perícia do sítio da morte. Pessoas que estiveram na lar no dia seguinte da ocorrência contaram tapume de 70 marcas de tiro espalhados por paredes, uma janela e a TV.

Os investigadores também aguardam o resultado do confronto balístico, que vai confrontar o projétil com as armas dos policiais —dois fuzis de calibre 7,62 mm e um fuzil de 5,56 mm.A família diz que os celulares de três das seis crianças e adolescentes que estavam na residência durante a confusão sumiram, incluindo o de João. A polícia, porém, só confirmou a consumição de dois aparelhos e afirmou que eles vão passar por perícia.

Uma reprodução simulada está prevista para ser realizada em seguida a desfecho dos depoimentos e laudos periciais, ainda sem data marcada. Ela deve ser acompanhada pelo núcleo de direitos humanos da Defensoria Pública, que está assistindo a família, e pelo Ministério Público.

“A investigação caminha, e a gente acredita que num período pequeno de tempo a gente consiga chegar a uma solução para o caso”, afirmou nesta sexta Allan Duarte, solicitador e titular da Partilha de Homicídios.

As corregedorias da Polícia Social e da Polícia Federalista também instauraram sindicâncias administrativas para apurar paralelamente a conduta dos agentes envolvidos na operação.

PF DIZ QUE REGIÃO TEM ALTO ÍNDICE CRIMINAL

Questionada sobre por que organizou uma operação na favela, função normalmente exercida pelas polícias Militar e Social fluminenses, a PF afirmou que atua combatendo a criminalidade no Multíplice do Salgueiro com a deflagração de diversas operações na região.Segundo o órgão, o objetivo era satisfazer dois mandados de procura e consumição expedidos pela Justiça Estadual contra conhecidos líderes do tráfico que possuem diversos mandados de prisão em franco e que estariam escondidos na região, uma vez que indicaram levantamentos de perceptibilidade.

“É notório que a região do Multíplice do Salgueiro apresenta cocuruto índice de criminalidade, associado ao tráfico de drogas, armas e roubo de cargas. Destaque-se que a região possui natureza geográfica peculiar, tendo se tornado um dos esconderijos preferidos das lideranças do tráfico que atuam no RJ, e aumentando os índices de roubo de cargas e homicídio de motoristas, devido a sua proximidade com importantes rodovias”, disse em nota.

RELEMBRE O CASO

João Pedro brincava com os primos na extensão externa da lar de uma tia na Ilhéu de Itaoca, no Multíplice do Salgueiro, na última segunda (18) quando começou uma grande operação da PF com suporte da Core e do Grupamento Aero-Traste da Polícia Militar.

As crianças começaram a ouvir o estrondo dos helicópteros voando reles e ligaram para a tia e o pai, que tinham completo de trespassar para trabalhar ali perto, no quiosque na cercadura da praia. Eles portanto ordenaram que os jovens entrassem correndo na lar.

O relato dos adolescentes é que, logo em seguida, policiais entraram pelo portão destrancado, lançaram bombas de gás e começaram a atirar no jardim, seguindo até a sala, mesmo com os garotos se jogando no pavimento e gritando que havia crianças. João ficou tombado, baleado na ventre.

A versão solene das polícias é de que, durante a operação, seguranças de traficantes tentaram fugir pulando o muro da lar e atiraram e arremessaram granadas na direção dos agentes. João teria se ferido no confronto e foi socorrido em um helicóptero da Polícia Social, mas não resistiu aos ferimentos.

A família acredita na hipótese de que a polícia, ao ver de cima os meninos correndo em uma lar grande e com piscina, pensou que a residência pertencesse a criminosos.

O juvenil foi levado para uma base aérea na zona sul do Rio, a 18 km (em risco reta), mas já chegou morto, segundo os Bombeiros. Os parentes dizem que foram impedidos de entrar no helicóptero e não receberam nenhuma informação sobre o menino.

O óbito foi constatado por volta das 15h15 de segunda, mas o corpo só chegou ao IML (Instituto Médico Legítimo) de São Gonçalo às 4h de terça (19), o que os familiares só teriam desvelado porque conheciam um funcionário da unidade.

Policiais disseram à família que a perícia foi feita logo em seguida João ser beleado. Os investigadores, porém, deixaram para trás um objeto que parece ser um pino de granada.

Nascente

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