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Novas mensagens de Bolsonaro a Moro reforçam versão de interferência na PF; leia a conversa – 23/05/2020 – Poder

Novas mensagens de Jair Bolsonaro (sem partido) ao ex-ministro Sergio Moro (Justiça) reforçam a versão do ex-juiz de que o presidente tentou intervir na Polícia Federalista trocando o ex-diretor-geral Maurício Valeixo.

​Uma cobrança de troca de comando na PF ocorreu poucas horas antes da reunião ministerial do dia 22 de abril.

Em texto enviado às 6h26 daquela quarta-feira, Bolsonaro escreveu: “Moro, o Valeixo sai nessa semana”, afirmou. “Isto está resolvido”.

A seguir, enviou: “Você pode manifestar exclusivamente a forma. A pedido ou ex profissão [sic].”

​As mensagens foram divulgadas inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e obtidas pela Folha.

​Moro respondeu 11 minutos depois e pediu para conversar pessoalmente com Bolsonaro sobre o tema. “Presidente sobre esse tema precisamos conversar pessoalmente, estou ah disposição para tanto”, escreveu.

As mensagens constam do interrogatório no STF (Supremo Tribunal Federalista) que apura as acusações de Moro, que deixou o governo acusando o encarregado de tentar interferir politicamente na Polícia Federalista.

Valeixo foi exonerado no dia 24 de abril, um dia depois de o presidente avisar a Moro que havia resolvido trocá-lo, o que levou à deposição do ex-juiz do Ministério da Justiça.

Na manhã do dia 23, o presidente enviou uma mensagem a Moro falando da troca de Valeixo. Ao referir material do site O Opositor intitulada “PF na cola de 10 a 12 deputados bolsonaristas”, Bolsonaro escreveu “Mais um motivo para a troca”, se referindo à sua intenção de tirar Valeixo do comando da corporação.​

​Bolsonaro nega que, durante a reunião no Planalto do dia 22 de abril, tenha se referido especificamente à PF em suas falas.

Afirma que não buscou pressionar Moro para mexer na corporação com o objetivo de influenciar em investigações ligadas a questões pessoais ou familiares.

​Na sexta-feira (22), foi divulgada a gravação da reunião entregue pelo governo ao STF no interrogatório.

​O texto do vídeo e os testemunho em curso são decisivos para a PGR (Procuradoria-Universal da República) concluir se irá denunciar o presidente Jair Bolsonaro por depravação passiva privilegiada, obstrução de Justiça e advocacia administrativa por tentar interferir na autonomia da Polícia Federalista.

​À noite, no Palácio da Alvorada, Bolsonaro repetiu que não tentou interferir na Polícia Federalista, uma vez que acusou Moro.

​”Nunca interferi na PF, mas, coincidência, só depois da saída do Sergio Moro que a PF começou a caminhar pra frente. Eu nunca interferi, sempre liberdade totalidade”, afirmou.

A troca de mensagens mostra ainda que Bolsonaro reclamou de operações do Ibama com o pedestal da Força Vernáculo contra desmatamento na Amazônia.

Durante a operação perto do município de Uruará e da Terreno Indígena Catarata Seca, no sudoeste do Pará, os fiscais queimaram três caminhões e dois tratores usados para retirada proibido de madeira e apreenderam um caminhão.

Conforme deixavam a espaço, pessoas no lugar queimaram uma ponte e cercaram o veículo apreendido.

A Moro, Bolsonaro escreveu: “Força Vernáculo, IBAMA e FUNAI…As coisas chegam para mim por terceiros…Eu não vou me omitir”.

O ex-juiz, logo, respondeu e disse que a Força Vernáculo e a Funai não têm autorização para destruir equipamentos. “Lamento situação do vídeo mas eh prematuro falar em envolvimento delas no incidente (sic)”, escreveu Moro, dizendo que ia checar a informação.

A seguir, Moro afirmou que Força Vernáculo e Funai não tinham relação com a quebra das máquinas e que exclusivamente o Ibama estaria envolvido. Quase meia hora depois, o ex-ministro disse que a Funai não participou das ações, mas ressaltou que a devastação dos maquinários havia se tornado uma prática do Ibama.

“A Funai não efetua essas destruições. No caso em específico, creio que bastaria a diferença da norma, mas isso não impediria o MPF [Ministério Público Federal] de subtrair alguma recomendação para devastação do maquinário”, disse Moro.

Manancial

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