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Tributo a profissionais de saúde, ‘Sob Pressão’ defende a saúde pública e a ciência

O conturbado ano de 2020 ainda não acabou, mas é previsível que nenhum filme, série ou documentário há de superar a primazia dos dois episódios especiais de “Sob Pressão – Plantão Covid”, que a Mundo acabou de apresentar nesta terça-feira (13). O enredo foi selado com uma corajosa resguardo da saúde pública e da ciência, na voz do herói da série, Evandro (Julio Andrade), que passou pelos piores momentos de sua trajetória até cá.

“Quem trabalha cá dentro vê a vida de outra maneira. A gente precisa proteger a saúde pública. A gente precisa confiar na ciência. Só assim teremos um mundo mais justo”, disse Evandro, para a comoção de Carolina (Marjorie Estiano), Décio (Bruno Garcia) e equipe.

Ao final, um slide ocupou a tela para avisar que a produção foi uma homenagem aos profissionais de saúde que estão na risca de frente do combate ao coronavírus.

Antes que pudéssemos aplaudir a recuperação do doutor Evandro, era de se imaginar que ninguém seria doido de matar o protagonista do programa, mesmo porque há pelo menos mais uma temporada à nossa espera, a 4ª, praticamente pronta no papel. Mas olhe que o testemunha sofreu para ver o varão superar a Covid-19, com recta a intubação e cirurgia de emergência no meio do apagão do nosso MacGyer do SUS, porquê os roteiristas chamam o personagem.

A “ressurreição” de Evandro foi embalada por uma música inédita mantida porquê tal até o momento da exibição deste segundo incidente, unindo Chico Buarque e Gilberto Gil, dois representantes de algumas das mais belas parcerias da música brasileira. A letra zomba dos tolos que duvidam da ciência, do jogo de verdades e mentiras lançado no contexto da pandemia e da urgência de viver a vida agora. Segue cá uma prévia da letra e, aquém, um clipe gravado mormente com imagens dos músicos em estúdio e editado com imagens dos episódios da série.

“A febre, seus fantasmas, seus terrores […] A besta avança pelos corredores / O médico caminha com cautela / Estuda as artimanhas do inimigo / A enfermeira brava vence o susto / Pouco lhe importa a extensão do transe […] Só sei que é preciso confiar / Fazemos todos segmento dessa história / Mesmo que os tontos blefem com a morte, num jogo de verdades e mentiras / Um jogo duplo de contratempo e sorte / A ciência abre as suas asas / A esperança avante porquê um guia / Com São João na reza, a pajelança / A mediação de Xangô na magia […] O sol da aurora secando o pulmão […] Desembarcar do trem da pandemia Pra fazer da rima arredondada / O rompante final de uma alegria / Vamos em frente companheiro, vamos embora / Vamos tomar aquela talagada, vamos trovar que a vida e só agora ]…]”

 

Com roteiro final de Lucas Paraízo, que escreveu os episódios com Marcio Teutónico, Flavio Araujo e Pedro Riguetti, e a preciosa consultoria do médico Marcio Maranhão,  os episódios conseguiram sintetizar boa segmento das aflições que nortearam esse período de pandemia, porquê as notícias falsas sobre possíveis curas, a descrença na mortandade do vírus, a angústia da medicina diante de um inimigo ignoto e sem prazo para matar, e a revolta de pacientes que colocam a ciência em cheque para duvidar da eficiência da medicina.

Estava tudo ali, até o dilema de escolher qual paciente salvar, por idade ou não, diante da falta de respiradores para todos, paciente que parecia muito intubado de repente e paciente que não resistiu a todas as tentativas de acerto médico.

Estava também Stepan Nercessian, em flashback que transformou Evandro em Ravel Andrade, irmão mais novo de Júlio, sem que o veterano parecesse tão mais novo no foco. Nercessian foi, quando muito, maquiado por uma tinta escura na farta cabeleira. Vá lá, foi um meio de não deixar de fora desses episódios, vértice de uma das melhores séries já feitas para a TV no Brasil, um dos nomes centrais no préstimo apanhado pelo título em suas duas temporadas iniciais, até a morte do personagem, Samuel.

A direção de Andrucha Waddington levou o testemunha para dentro de um hospital de campanha, onde as câmeras do jornalismo não puderam chegar no auge da crise sanitária. Embora ficcional, a cenografia foi toda erguida com base nos relatos do consultor da série, Márcio Maranhão, que esteve na risca de frente do combate à doença na vida real, tendo ele mesmo sido vítima de infecção.

Parceria entre a Mundo e a produtora Conspiração (onde o livro de Maranhão foi transformado primeiro em filme para depois virar série na TV), “Sob Pressão – Plantão Covid”  promete levar a produção aos mais concorridos prêmios internacionais. Antes mesmo desses especiais, Marjorie Estiano já estava indicada pela 2ª vez consecutiva ao Emmy Internacional porquê melhor atriz, pela série -o resultado sai em novembro.

Mais importante que as estatuetas e medalhas a ocupar, no entanto, terá sido a sua tributo para que levante momento não seja engolido pela banalização de um noticiário que já vai se habituando a ouvir falar em dezenas de milhares de vítimas, risco que cresce com a gritaria dos negacionistas, os “tolos” de que Gil e Chico falam na música.

 

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