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Selic deve desabar aquém da tira mínima de inflação; O que fazer? – De grão em grão

Se as expectativas do mercado forem confirmadas, o Comitê de Política Monetária (COPOM) deve reduzir a taxa básica da economia, a Selic, para 2,25% ao ano na próxima quarta-feira. Esse percentual é subordinado à tira mínima de inflação perseguida pelo Banco Mediano (BC). Discuto aquém qual revérbero levante movimento deve ter em uma vez que os brasileiros investem e nos preços dos ativos de risco.

Nascente movimento impactará consideravelmente o investimento mais popular dentre os brasileiros, a caderneta de poupança.

A tradicional caderneta de poupança tem um volume de quase R$ 1 trilhão em aplicações. Para entender uma vez que levante volume é relevante, veja a confrontação. O totalidade de investimentos em todas as categorias de títulos públicos na plataforma do Tesouro Direto era de R$60 bilhões ao final de abril, ou seja, 6% do que há aplicado na poupança.

Porquê a poupança rende somente 70% da taxa Selic, ela vai ter um retorno de somente 0,13% ao mês a partir da próxima semana, equivalente a 1,58% ao ano.

Assim, se você impor R$ 10 milénio na poupança, vai lucrar por mês R$13. Ou seja, o suficiente somente para remunerar dois cafés expressos.

Com esta rentabilidade, o investimento na poupança demoraria 45 anos para inflectir. Mesmo que não se importe de esperar levante prazo, o investidor ainda deve permanecer insatisfeito, pois a maior verosimilhança é que o retorno não será suficiente para repor o poder de compra. O IPCA esperado para os próximos doze meses é superior a 2% ao ano.

Talvez você imagine que todos já sabem disso. No entanto, a captação líquida dos meses de maio e junho de 2020 (até o dia 05/ 06) mostra que não. Nestes 36 dias a captação líquida da caderneta foi de quase R$50 bilhões. Esse volume foi superior a toda a captação de do ano de 2020 em fundos de ações no país.

Muitos que investem em poupança não se deram conta desta mudança de rentabilidade. A maior segmento dos investidores toma a decisão de investimento olhando para o retorno nos doze meses anteriores. Neste período, a rentabilidade da caderneta foi de 3,3%. Logo, a rentabilidade passada foi o duplo do que será o retorno no próximo ano.

Portanto, a caderneta de poupança perde qualquer atratividade.

Aos poucos, estes aplicadores perceberão esta desvantagem e devem transmigrar segmento de suas poupanças para alternativas de maior risco e de maior prazo. Esta modificação deve trazer um fluxo importante de investimentos que pode proporcionar os ativos de risco no país.

Pessoas ouvem com tom terrificante o volume de R$75 bilhões de saída de investidores estrangeiros da B3 em 2020. No entanto, mais espantoso é saber que a captação líquida da poupança supera levante valor no mesmo período. Se o fluxo para a caderneta tivesse sido direcionado para o mercado acionário, os preços dos ativos estariam muito mais elevados.

Desconheço estudos sobre qual o horizonte de investimento dos poupadores de poupança, mas possivelmente mais de 30% dos recursos aplicados não são resgatados por mais de três anos. É muito razoável imaginar que em três anos, a bolsa deve se valorizar mais de 10%. Portanto, podendo apresentar o duplo do retorno da poupança no mesmo período.

A queda da taxa de juros a ser implementada pelo Copom não tem impacto súbito, mas ao longo dos próximos meses deve proporcionar aplicações de maior risco com o deslocamento de investimentos desfavoráveis uma vez que o da poupança ou de títulos referenciados à Selic.

 

Michael Viriato é professor de finanças do Insper e sócio fundador da Mansão do Investidor.

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