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Perto do hepta, Hamilton vira referência contra racismo e extrapola mundo da F-1

O inglês Lewis Hamilton, da Mercedes, disputa neste domingo o GP da Turquia de Fórmula 1 para se tornar heptacampeão mundial e confirmar nas pistas uma vitória que já conseguiu neste ano por atitudes fora dela. O ativismo do piloto na luta contra o preconceito racial ajudou a colocar pela primeira vez o tema em discussão na categoria e reforçou a imagem dele porquê uma figura comprometida com causas sociais.

O primeiro piloto preto da história da categoria vive um 2020 próprio, ao ter o recorde de Michael Schumacher em número de vitórias e poder igualar o teuto na quantidade de títulos. Ou por outra, Hamilton também se destacou em ações antirracistas em variados momentos na temporada. A Mercedes o acompanhou e até deixou a cor prata de lado e pintou os carros de preto.

O título mundial é questão de tempo para Hamilton. A combinação mais simples para ele confirmar a conquista em Istambul é terminar primeiro do companheiro de equipe, Valtteri Bottas. Ainda restam mais três etapas para findar o campeonato.

Em um ano marcado pelo movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) e pela intensa discussão sobre ações afirmativas, Hamilton teve papel bastante relevante ao levar a preocupação com o racismo a um envolvente novo: a Fórmula 1. E a categoria sentiu o impacto dessa novidade.

“O Hamilton leva a mensagem de que é verosímil se falar de racismo em todos os espaços, inclusive onde existe preeminência branca. Ele abre espaço para que essa taxa seja ouvida onde não havia o uso de se debater”, disse o presidente da Observatório da Discriminação Racial no Futebol, Marcelo Roble.

O inglês teve atitudes públicas nos últimos meses e que causaram reações controversas na Fórmula 1. Em julho, ele tentou organizar um protesto coletivo para que os 20 pilotos se ajoelhassem antes da prova. Seis não aderiram.

Hamilton subiu ao pódio no GP da Itália com uma camiseta em que cobrava a prisão dos policiais responsáveis pela morte da jovem americana negra Breonna Taylor. Logo depois a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) proibiu o uso de outras vestimentas no pódio além do macacão.

“O posicionamento do Hamilton causou um pouco de incômodo. É um corpo preto em um lugar dissemelhante. É a representatividade ainda solitária e destoante”, avaliou a professora da Faculdade de Instrução e Presidente da Percentagem Assessora de Pluralidade Étnico-Racial da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Debora Jeffrey.

A posição de protesto de Hamilton veio acompanhada em 2020 de uma atitude marcante. Depois de vencer o GP da Estíria, o piloto levou ao pódio porquê representante da Mercedes a engenheira de combustíveis Stephanie Travers, escolhida por ser mulher e negra. O inglês fez questão de mencionar o incidente porquê um símbolo de luta pela variedade.

Mesmo com 13 anos de curso na Fórmula 1, Hamilton ainda não conseguiu transfixar as portas da categoria para outros pilotos negros. E deixar esse legado é um dos objetivos do inglês.

“As manifestações dele são de muita valimento por motivo daqueles que tentam minimizar o racismo. Pode ser muito generalidade a gente ouvir falar que não tem racismo no esporte. Quando ele se posiciona, ele diz que existe, sim, racismo em qualquer esfera”, afirmou o professor da ESPM, Fábio Mariano Borges, profissional na extensão de inclusão e variedade.

Se por um lado a figura de Hamilton ajudou o racismo a ser discutido na Fórmula 1, por outro a própria postura fortaleceu o piloto. Segundo o professor de História Social da USP Marcel Tonini, ao se posicionar pela motivo, o inglês conseguiu passar uma mensagem positiva e atrair um tipo de fã que não está ligado diretamente ao automobilismo. “Uma coisa leva a outra. As pessoas que nem acompanhavam passam a gostar dele pela forma porquê ele valoriza a identidade negra”, disse.

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