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Origem do Dia da Consciência Negra remonta a Porto Satisfeito em 1971 – 21/11/2020 – Cotidiano

Festejado em 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares, para invocar a atenção para os direitos da população negra, o Dia da Consciência Negra teve sua origem há 49 anos na mesma Porto Satisfeito onde João Alberto Silveira Freitas, 40, foi assassinado por seguranças do Carrefour.

A data, foi oficializada em 11 de novembro de 2011 pela portanto presidente Dilma Rousseff porquê Dia Vernáculo de Zumbi e da Consciência Negra e não é feriado vernáculo, mas sim municipal. Segundo a lei n˚10.639 de 2003, a data entrou para o calendário escolar porquê dia para comemorar o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas.

Segundo o historiador Dudu Ribeiro, em pelo menos milénio municípios do Brasil (murado de 1/5) há qualquer tipo de feriado na data, embora isso não ocorra em algumas capitais porquê Brasília e Salvador –nem Porto Satisfeito.

“É interessante pensar porquê Salvador, a cidade mais negra fora do continente africano, onde murado de 83% da população autodeclarada é negra, não é feriado, o que demonstra as contradições e complexidades do debate racial no país”, diz.

A escolha do 20 de novembro porquê dia da Consciência Negra se contrapõe ao 13 de maio, data que marca a cessação da escravatura no país, em 1888, e era, até o início dos anos 1970, o principal dia de comemoração para os negros no Brasil.

Em 1971, um grupo formado por ativistas e militantes negros na capital gaúcha, o Grupo Palmares, vinha questionando a data por ter sido escolhida por brancos.

A proposta de romper com a teoria de liberdade concedida por uma liberdade conquistada, tendo porquê referência Zumbi dos Palmares, foi vista porquê subversiva, conta o jornalista e historiador Deivison Moacir Cezar de Campos em sua dissertação de mestrado apresentada ao programa de pós-graduação em história da PUC-RS.

O Palmares contava com figuras importantes do movimento preto porquê o poeta e professor de letras Oliveira Silveira, Antônio Carlos Cortes e Ilmo da Silva. Em reuniões informais na rua dos Andradas, defendia rever as referências negras na trova, literatura e artes no país.

Em reportagem publicada em 23 de agosto de 1971 no jornal Folha da Tarde sobre sua primeira atividade pública, o grupo enfatiza que o Palmares “pretende comemorar devidamente todas as datas negras”.

Nos anos seguintes, o grupo ganhou força e conquistou, ainda segundo Campos , uma legitimação social, “o que possibilitou a realização de atividades com maior abrangência e duração”, conforme escreveu em seu texto.

Extinto em 1978, o Palmares só viria seu objetivo se concretizar 33 anos depois, com esteio de outros grupos de ativismo preto.

Para Ribeiro, a demanda pela mudança da data na dezena de 1970, juntamente com a retomada de um movimento preto unificado, deu novas páginas à história da população negra brasileira, até portanto contada quase exclusivamente pelos instrumentos de ensino formal, em sua maioria brancos.

“O dia é fundamental para incentivar o processo de mudança radical da exigência do preto no Brasil, pois a própria cessação formal da escravidão no país foi mais pensada porquê uma solução econômica modernizante do que um processo de construção de justiça racial e social para as pessoas anteriormente escravizadas.”

Ele acrescenta que a oficializaçnao da data traz contribuições importantes de abolicionistas porquê Luiz Gama. “Foi também médio para a elaboração de um pensamento antirracista, permitindo que se ampliasse para toda a sociedade o entendimento sobre a participação negra no Brasil.”

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