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‘Je suis Samuel Paty’ – 30/10/2020 – Hélio Schwartsman

Estou com Emmanuel Macron. O Oeste não pode desistir de princípios porquê a liberdade de sentença só porque certas palavras e desenhos ferem suscetibilidades religiosas. A liberdade de sentença faz segmento do pacote de inovações, primeiro cognitivas e depois institucionais, que colocaram a Europa na rota da ciência, da prosperidade e da tolerância.

Uma das coisas que mais me chocou quando do atentado contra o semanário satírico francesismo Charlie Hebdo, em 2015, que deixou 12 mortos, foi que várias vozes respeitáveis da sociedade social condenaram o ataque, mas fizeram questão de ampliar que o estilo excessivamente irreverente e provocativo da publicação havia chamado a tragédia para si.

A novidade crise, que já contabiliza um saldo de dois atentados, o assassínio do professor Samuel Paty e o ataque a uma Igreja Católica em Nice, mostra os limites do raciocínio contemporizador. O professor Paty não tinha a intenção de provocar ninguém. Ele estava exclusivamente explicando o noção de liberdade de sentença. Antes de exibir as charges retratando o vaticinador Maomé, alertou os alunos muçulmanos para o potencial ofensivo dos desenhos e os convidou a deixar a sala, se quisessem. Tal desvelo não o impediu de ser degolado por radicais islâmicos.

O problema, portanto, não está na atitude daqueles que criticam religiões, mas no indumentária de certos grupos não aceitarem o mais imprescindível dos princípios do pacto civilizatório, segundo o qual diferenças são resolvidas sem recurso à violência física.

Ninguém pede que os muçulmanos aplaudam as charges. Eles têm todo o recta de criticá-las e os seus autores. Podem xingá-los. Podem até, porquê estão fazendo, promover boicotes a produtos franceses, mas não podem matar uma pessoa porque não gostam do que ela diz ou desenha. Quer expressar, até podem, porquê mataram, mas, ao fazê-lo, saem do pacto civilizatório para tornar-se terroristas.

Natividade

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