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Ida de Moro a ministério de Bolsonaro contaminou Lava Jato, diz ex-procurador da força-tarefa – 07/06/2020 – Poder

Carlos Fernando dos Santos Lima se aposentou em março pretérito, posteriormente 25 anos no Ministério Público Federalista. Desde portanto, o ex-procurador da República tem se ocupado da reforma no escritório de 100 metros quadrados que pretende inaugurar em Curitiba.

“Estava começando a buscar clientes na extensão de compliance [medidas anticorrupção], mas infelizmente veio a pandemia”.

Carlos Fernando esteve na origem da Operação Lava Jato, em 2014, e foi um dos líderes da força-tarefa de Curitiba até 2018. Por desculpa desse pretérito porquê investigador, diz que não atuará na extensão criminal. “Não posso ser um criminalista para desdizer aquilo que eu sempre disse. Procurei uma extensão que não ofenda o meu pretérito.”

A preocupação com a reputação da investigação que atuava na traço de frente transparece ao falar do ex-juiz federalista Sergio Moro, que abandonou a magistratura e a Lava Jato para integrar o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) porquê ministro da Justiça.

“Pessoalmente eu manifestei a ele minha incerteza sobre se seria uma decisão correta”, diz. “Eu vejo que num claro momento ela custou muito custoso para a Lava Jato, obviamente, porquê movimento, porque contaminou uma discussão política desnecessária.”

Carlos Fernando considera Bolsonaro a pior pessoa para presidir o país neste momento e só vê um remédio para a situação atual. “Acho que a solução em relação a Bolsonaro é o impeachment. Para mim ele já cometeu crimes de responsabilidade muito maiores e mais graves que a Dilma.”

Porquê o senhor vê a atual situação do país, enfrentando pandemia e crises econômica e política simultaneamente? Eu acho que a pandemia veio para exacerbar os problemas que nós já tínhamos. O problema político ele já existe, ele é inerente a certos erros da Constituição de 88, que levou ao presidencialismo de coalizão e a um excesso de partidos. Infelizmente hoje não é o momento para discutir isso.

Segundo, nós tivemos o má sorte de ter a pior pessoa verosímil neste momento na Presidência da República. Bolsonaro é incapaz de assumir o preço de governar. Nesse atual momento de pandemia, governar é tentar salvar vidas humanas. Ele quer transformar esse indumento da natureza numa questão política, jogar o dispêndio dela em cima de governadores e prefeitos. Falta para ele qualquer capacidade mínima para liderar um país num momento difícil.

Porquê o senhor vê os atos do presidente de desrespeitar orientações de organismos de saúde? Ele não segue as orientações do seu próprio governo e sabota a tentativa de outros que estão tentando fazer o mínimo para diminuir o dispêndio dessa pandemia.

Ele também incentiva atitudes porquê armar a população. Imagine nessa situação em que temos dificuldade de controlar pessoas que se acham no recta de fazer valer as suas opiniões de forma violenta, se nós armássemos a população? Nós teríamos milícias enfrentando milícias. O que também viola qualquer pacto constitucional.

Bolsonaro está numa política que é genocida e contraria a Constituição Federalista. Eu acho que a solução em relação a Bolsonaro é o impeachment. Para mim ele já cometeu crimes de responsabilidade muito maiores e mais graves que a Dilma.

O presidente Bolsonaro foi eleito dizendo que iria por em prática uma novidade política. Agora, porém, ele se aliou ao centrão. Porquê o senhor vê investigados da Lava Jato participando deste governo? O problema do oração da novidade política é que ele é populista em certos termos, porque nosso problema não é uma vontade pessoal de um governante. O nosso problema é o presidencialismo de coalizão, a pouquidade de partidos democráticos e transparentes em número mínimo que permita que se forme maiorias estáveis, sem precisar daquele toma lá dá cá que o centrão faz.

O Bolsonaro fez um oração que ele mesmo sabia que ele não iria executar. Eu creio que Bolsonaro é essencialmente um mentiroso, mas um mentiroso que mente de forma tão convictamente que ele acredita na própria pataratice até o momento em que a desdiz.

A Lava Jato teve papel atuante durante o impeachment da presidente Dilma, sobretudo quando do impedimento da nomeação do ex-presidente Lula para Moradia Social. Durante as eleições, foi divulgada a delação do Antonio Palocci, que atingia o candidato petista à Presidência. As investigações da Lava Jato de alguma forma contribuíram para a eleição do atual presidente? Essa é uma questão interessante. Eu vejo ela de uma maneira muito mais complexa. Quando você tem um indumento —e eu pergunto assim para o jornalista— você tem uma investigação jornalística completa, que não é definitiva porque vai se subordinar a outras investigações, mas você tem fatos que vão influenciar um determinado incidente, por exemplo a eleição, agir ou não agir é uma decisão política. Muito difícil, porque agir ou não agir vai influenciar a situação.

Dar conhecimento ou não para a população determina resultados diferentes. Você não tem o que fazer, por isso eu digo que a posição do Ministério Público Federalista sempre foi de revelar tudo no momento em que aquilo deixe de ser útil para as investigações, porque a população tem que saber.

Agora, Bolsonaro evidentemente surfou na vaga anticorrupção. A vaga não é responsável pelo surfista. Se há alguém responsável pelo fenômeno Bolsonaro, chama-se Luiz Inácio Lula da Silva. Por dois motivos. Porque vendeu a esperança que o povo depositou no Partido dos Trabalhadores em troca da manutenção do poder através da utilização sistêmica da devassidão política. E elegeu o Bolsonaro quando o escolheu porquê opositor ideal. Uma polarização que eliminou o meio democrático.

A Lava Jato teve resultados muito mais tímidos durante o governo Bolsonaro do que nos governos do PT e de Michel Temer. Por quê? Eu sempre falei internamento que operação é porquê um avião. Precisa ter um projecto de voo. Tem um momento em que ela vai arrancar, lucrar velocidade, vai edificar voo, se não for abatida ganha profundidade, atinge voo de cruzeiro, mas toda operação tem que descer, tem que saber porquê descer. Porque se você não sabe porquê aterrissar o seu rumo é desabar. Toda operação vai minguar, porque os assuntos investigados não são eternos.

Moro deixou a magistratura para integrar o governo Bolsonaro. Porquê o senhor viu essa decisão? Pessoalmente eu manifestei a ele minha incerteza sobre se seria uma decisão correta. Eu manifestei que eu tinha dificuldade com esse governo. Eu vejo que, num claro momento, ela [decisão de Moro] custou muito custoso para a Lava Jato, obviamente, porquê movimento, porque contaminou uma discussão política desnecessária.

Mas eu acho que a esperança de mudança passa por uma mudança legislativa. Nós da Lava Jato sempre soubemos disso. O Sergio Moro acreditou nesta mudança. Mas desde o incidente da ‘rachadinha’ me pareceu simples que o Bolsonaro não tinha compromisso com essa mudança.

Porquê o senhor esta vendo o papel de Augusto Aras na Procuradoria-Universal da República? Eu sou crítico ao papel dele. Eu creio que existe uma corrida pelo STF [Supremo Tribunal Federal] e nós estamos numa crise das nossas instituições democráticas tão grande que as coisas estão sendo usadas.

Antigamente existia isso de uma forma velada, mas hoje é absurda a corrida para aprazer Bolsonaro. O que está havendo é um verdadeiro aparelho da Procuradoria-Universal da República em relação ao interesse dessas pessoas em atingir a cadeira do ministro Celso de Mello [que se aposenta neste ano] e as outras cadeiras que vão perfurar no porvir.

O presidente Bolsonaro se escora num suposto espeque dos militares para o enfrentamento com outros poderes. O senhor considera a possibilidade de um golpe militar? Eu acreditava que não. Eu não consigo entender que uma instituição que deveria ter aprendido muito com o que aconteceu durante a ditadura, que fosse liderada num momento histórico tão grave por uma pessoa que não representa os valores básicos das Forças Armadas. Entretanto, de repente, por conta dessa polarização política, por conta de movimentos equivocados e até por conta dessa posição ideológica da jerarquia, ‘mesmo que eu caminhe para o meio do inferno eu vou junto porque ele é o meu superintendente hierárquico’. Infelizmente está levando os militares para um caminho e manifestações equivocados.

Carlos Fernando dos Santos Lima, 56

  • Em 1991 ingressou no Ministério Público do Paraná
  • Entrou no Ministério Público Federalista em 1995
  • Entre 2003 e 2006 atuou na Operação Banestado, que combateu crimes financeiros
  • Foi um dos líderes da força-tarefa da Operação Lava Jato, entre 2014 e 2018
  • Aposentou-se em março de 2019

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