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Guerra do steaming turbina novidades e faz clássicos sumirem das plataformas – 15/09/2020 – Ilustrada

Na atual era do streaming, qualquer pessoa disposta a remunerar uma mensalidade para assinar alguma plataforma de filmes sob demanda tem à sua disposição, a qualquer momento do dia, uma imensa galeria de produções de diversos gêneros e países. Esses serviços representam hoje uma forma prática de consumir cinema e deixaram para trás DVDs, discos Blu-ray, canais pagos e as já finadas locadoras.

Mas com o superaquecimento desse jovem mercado, plataformas porquê a Netflix e a Amazon Prime Video perceberam que, para manter a frente nessa disputa, seria necessário investir massivamente em teor original e arrematar os direitos de distribuição de sucessos recém-saídos das salas de cinema.

Com isso, os catálogos desses serviços passaram a ostentar títulos inéditos com largo apelo popular e também blockbusters, pondo em segundo projecto toda uma gama de filmes antigos, com público mais restrito e, portanto, menos potencial de seduzir novos assinantes.

De concórdia com levantamento feito pelo DeltaFolha entre julho e agosto, Netflix, Amazon Prime Video, Telecine Play, Globoplay e HBO Go tinham, todas, mais de 50% de seu montão cinematográfico ocupado por produções lançadas nos últimos dez anos.

A pesquisa levantou os catálogos completos desses cinco serviços no Brasil, excluiu dos resultados séries e outros programas de televisão e concluiu que é vasqueiro encontrar por lá longas lançados no século pretérito —e, porquê se já não bastasse a escassez, esses títulos costumam permanecer escondidos, longe das categorias principais e das páginas iniciais das plataformas.

Vale ressaltar que os acervos analisados mudam diariamente, com entradas e saídas de conteúdos que podem provocar variações nos resultados apresentados.

A plataforma menos preocupada com os filmes lançados entre 2010 e 2020 é a HBO Go, com 51% de seu montão originado no período. Mas essa particularidade pouco tem a ver com uma intenção maior de contemplar anos longínquos.

O filme mais velho da HBO Go é de 1958, enquanto todas as outras plataformas analisadas têm pelo menos um título que data de anos anteriores. A única exceção é a Globoplay, que inaugura sua lista com “Perseguidor Implacável”, de 1971. Nela, 77% dos longas foram produzidos entre 2010 e 2020.

Mesmo que não seja mana do streaming da Mundo, a Telecine Play, no entanto, já valoriza mais as primeiras décadas do cinema. Ela é, entre os serviços analisados, quem vai mais longe no pretérito, com o drama “Intolerância”, de 1916. Ela também é a única com alguma produção dos anos 1920. Aliás, a Telecine Play ostenta alguns bastiões do cinema, porquê longas de Fellini e Hicthcock.

A dupla com os maiores acervos de filmes analisados é formada por Netflix e Amazon Prime Video, com mais de 3.000 títulos cada uma. Ambas têm as maiores quantidades de filmes produzidos em 2020 e uma avassaladora maioria concentrada nos anos 2010 —no caso da Netflix, 80% de seu cardápio, e no da Amazon, 67%.

Nos cinco casos analisados, os anos 2000 também aparecem com certa força, mas basta voltar o milênio para que os resultados das buscas comecem a rarear. A média de espaço devotado a lançamentos dos anos 1990, 1980 e 1970, ao juntar os cinco streamings, é de 7%, 3% e 1,5%, nesta ordem.

Os resultados levam a questionar para onde estão indo aqueles filmes considerados clássicos, de diretores cultuados nos dias de hoje, mas aparentemente esquecidos pelas novas tecnologias. Com a escassez de DVDs e discos Blu-ray no mercado, ficou difícil encontrar essas obras.

Alguns estão em serviços de streaming considerados de nicho —aqueles com seleção mais refinada, mas com alcance restringido. No Brasil, os principais exemplos são o Belas Artes à la Carte e o Mubi, onde o preto e branco é por vezes mais frequente que os efeitos especiais coloridos.

Já outros podem ser comprados digitalmente, em plataformas porquê a Apple TV. Mesmo assim, pode ser difícil reencontrar um Akira Kurosawa ou um Billy Wilder por aí.

O levantamento do DeltaFolha ainda mostra que a quantidade totalidade de filmes produzidos por ano não explica esse fenômeno.

De concórdia com o IMDB, maior base de dados online do audiovisual, nunca se produziu tanto filme porquê atualmente. Mas, mesmo assim, de todas as estreias que já ocorreram desde a invenção do cinematógrafo, 35% foram entre 2011 e 2020. A quantidade é subida, mas não reflete a verdade dos catálogos analisados, que chegam a ter o duplo dessa porcentagem dedicada aos anos recentes.

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