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Fotógrafo passa por áreas com queima sem ver ações do governo contra as chamas – 15/09/2020 – Envolvente

O fotógrafo Victor Moriyama e uma pequena equipe percorreram quase 4.000 quilômetros de tapado e Amazônia nas primeiras semanas de agosto, um dos meses com quadro de queimadas mais grave no Brasil. Durante o caminho, diz se lembrar de praticamente não ter visto equipes de combate ao queima.

De início, passaram por áreas do Matopiba, entre os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, uma região com potente atividade agrícola. Depois, a equipe foi de Cuiabá até o porto de Santarém pela BR-163.

“Acho que cruzamos com duas viaturas do Ibama”, diz Victor, sobre a sua percepção de pouca fiscalização e falta de combate aos incêndios.

As queimadas em agosto deste ano foram tão críticas quanto as de 2019, que, pela falta de controle, tomaram conta até mesmo do noticiário internacional e desgastaram ainda mais a já questionada imagem ambiental do governo Jair Bolsonaro (sem partido).

O fotógrafo conta que, no trajectória da BR-163, foram acompanhados por uma névoa de fumaça. “Em Novo Progresso é uma nuvem de fumaça em cima da cidade o tempo inteiro”, conta.

Essa região, no Pará, ficou em evidência em 2019 pelo “dia do queima”, no qual, segundo investigações das polícias Social e Federalista, ocorreram queimadas orquestradas para ocorrer ao mesmo tempo. Os principais suspeitos, segundo as investigações, são fazendeiros, madeireiros e empresários da região.

Na falta de equipe para combate aos incêndios relatada por Victor, houve ocasião em que a própria comunidade lugar teve que agir.

O caso ocorreu no assentamento 12 de Outubro, na dimensão do município de Cláudia, em Mato Grosso. Segundo Victor, em meio à pandemia da Covid-19, os moradores tiveram que se organizar para combater as chamas.

Em meio ao firmamento alaranjado pelas queimadas, uma das cenas marcantes presenciadas pelo fotógrafo ocorreu em um momento em que rajadas de vento se uniram às chamas e formaram um “vendaval de queima”.

“Eu não conseguia fotografar. Eu nunca tinha visto essa junção do queima com uma vento. Isso me marcou muito. O queima poderia me rodear. Vi o queima pulando estrada”, conta.

A viagem da equipe foi feita em parceria com a ONG Rainforest Foundation Norway. O objetivo era uma investigação para entender possíveis efeitos da masmorra da soja comprada pela Europa (considerando que os lugares visitados têm plantações em volta).

Manadeira

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